Doze Fronteiras

Em 2024, quando começámos a levar a sério o que até então não passava de uma ideia que ia dando para sonhar… demos por nós a querer concretizar a Via Raia, caminharmos por toda a zona da fronteira Luso-Espanhola. Um bocado loucura, mas era mesmo isto!

Surgiram as primeiras questões: Como vamos fazer? O que queremos realmente? São tantos km…

Para tentar não dispersar, o Nuno, que é mais estudioso, começou a investigar on-line, adquirir livros, ler teses de doutoramento, ver documentários e peças jornalísticas. Um dos primeiros livros a entrar cá em casa foi o “Doze Fronteiras” de Joaquim Palma, que percorreu toda a raia de carro. Descreve sobretudo a importância histórica, a beleza e o abandono das regiões fronteiriças. Foi este livro que nos precipitou para o arranque!

Certo dia, estávamos nós a deambular no sonho… e se conhecêssemos o Joaquim? E se pudéssemos falar com ele? Fazer-lhe perguntas? Ouvi-lo falar da sua experiência. Trocar ideias, pedir algum conselho?

E assim foi, numa manhã de Julho de 2024, na Praça do Giraldo em Évora, na esplanada do Café Arcada. Começamos por enquadrar o nosso projecto e depois então, com serenidade e sabedoria, o Joaquim ia fazendo os seus comentários. Ambos registámos nas nossas cabeças uma das primeiras frases de Joaquim: “Sou atraído por espaços onde as pessoas menos vão!”

O Joaquim, simplesmente nos transmitiu a sua essência, o que considera importante, para também nós estarmos atentos nesta aventura: “Procurem estar, observem aquilo que está à vossa frente, procurem sentir e ouvir as pessoas e os lugares”. Sugeriu também para irmos com liberdade, sem opiniões pessoais.

Muito agradecemos ao Joaquim Palma.

Flora Silvestre

As flores e plantas silvestres nascem e crescem espontaneamente na natureza, podem, ou não, ser comestíveis, medicinais ou invasoras. São verdadeiros tesouros, de beleza rara, que enriquecem a biodiversidade e contribuem para o equilíbrio do ecossistema. Fomos surpreendidos na Serra Algarvia.

Etapa 5

65 – 81 km (16 km)

Alcoutim / Monte Vascão (Algarve)

Bonito dia de sol pelas bandas de Alcoutim! Os pássaros cantam e as perdizes levantam voo. A Serra está carregada de cogumelos, musgo, esteva, carvalhos, bolotas, medronheiros em flor, arranca saias e flores silvestres. Depois da chuva que tem caído no último mês nesta zona (segundo dizem mais do que nos últimos 10 anos), a Ribeira do Vascão encheu, era tanta a água e a corrente, que tornou impossível a passagem até Mesquita (já no concelho de Mértola). Pelo que terminámos no Monte Vascão (concelho de Alcoutim), na conversa com a Palmira e o Manuel Lascas, entre histórias dos filhos, netos e da sua vida simples. Terminámos o Algarve. Que venha o Alentejo!

dez 2026

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Etapa 4

46 – 65 km (19 km)

Álamo / Guerreiros do Rio / Alcoutim (Algarve)

Apesar da chuva intensa, que não deu tréguas, não vacilámos! O ponto de partida foi Álamo, avistamos o que sobra de uma barragem e vila da época dos romanos. O nosso maior companheiro continua a ser o Rio Guadiana, hoje o leito estava bem cheio e cor de barro. Como se diz em bom português “ficámos que nem uns pintos”, encharcados da cabeça aos pés.

dez 2025

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Etapa 3

34 – 46 Km (12 km)

Almada d’Ouro / Foz de Odeleite / Álamo

Nesta etapa tivemos a @martauva (nossa anfitriã), que com coragem nos acompanhou na aventura de hoje. Com ela veio o Caco (o amigo de 4 patas) que esteve sempre atento às perdizes e a qualquer mexida no mato. Em Almada d’Ouro onde iniciámos esta etapa, trocamos algumas palavras com um habitante, que embora tenha demonstrado alguma estranheza por andarmos a pé, nos desejou uma boa caminhada. O percurso foi lindo, outra vez entre montado e rio, uma beleza. Também com um pacato pastor trocámos dois dedos de conversa.

out 2025

Etapa 2

16 – 34 km (18km)

Junqueira / Azinhal / Almada d’Ouro (Algarve)

Também os cheiros fazem parte da identidade dos sítios, as figueiras e a esteva perfumam o caminho. Cruzámo-nos com colmeias, alfarrobeiras, amendoeiras, alguns pinheiros, sobreiros, azinheiras, oliveiras, aves de rapina… pessoas é que nem por isso! Ultrapassámos o primeiro desafio, no sapal da beira, tivemos que atravessar a Ribeira do Beliche (calções arregaçados e pé na água). Durante todo o percurso o Rio Guadiana aparecia e desaparecia por entre montado e sapais. Uma paisagem bonita com a natural mescla de cores e texturas.

out 2025

Etapa 1

0 – 16 km

Vila Real de Santo António / Castro Marim / Monte Francisco / Junqueira (Algarve)

Começou a aventura! Primeira etapa deste grande caminho. Km 0, Ponta da Areia, na Mata Nacional das Dunas Litorais, em Vila Real de Santo António. Com o Rio Guadiana por perto, pés no chão até Castro Marim. E nos sapais, quando a água do mar invade o estuário, repousa em tanques naturais, com o calor do sol evapora, os minerais precipitam e surgem os cristais, vulgar sal de cozinha. Visitámos a Casa do Sal, onde é dado a conhecer a arte da cestaria/canastras (serviam para transporte do peixe) era em Odeleite onde existiam abundantes canaviais e artesões, que rachavam e trabalhavam a cana, matéria prima isenta de impostos.

out 2025

Recomendamos para jantar em Vila Real de Santo António a Associação de Pescadores Santo António de Arenilha (telefone 281542409)